segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Delicia de Chocolate

"A ordem é o prazer da razão: mas a desordem é a delícia da imaginação."  Paul Claudel

A receita de hoje está em tudo relacionada com  esta extraordinária citação. Quis pôr em prática algumas das técnicas que aprendi recentemente e ao mesmo tempo deixar-me levar pela imaginação, sem uma ordem previamente estabelecida, sem ter a noção concreta do resultado final. Por vezes um pouco de desordem também é precisa nas nossas vidas, solta-nos e encaminha-nos para outras paragens quiçá mais sedutoras e saborosas. Aqueles que dependem exageradamente da ordem, da razão perderão por certo muitos dos prazeres terrenos.

Imaginemos então aquilo que nos dá prazer, com uma fatia desta delicia como companhia...

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Ingredientes:

Bolo:

200 gr de açúcar

6 ovos

40 gr de fécula de batata

40 gr de cacau em pó

140 gr de farinha

60 gr de manteiga

1  pacote de natas batidas em chantilly aromatizado com licor de laranja (facultativo)

carambolas

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Preparação:

Misturar os ovos com o açúcar num recipiente que possa ir ao lume e levar a aquecer em banho maria até atingir os 45º (cerca de 10 minutos), mexendo lentamente. Depois de retirar do lume, com uma batedeira eléctrica bater durante 10 minutos até obter um creme esbranquiçado. Em seguida peneirar os ingredientes secos. A farinha, a fécula, e o cacau. Aquecer um pouco a manteiga e juntar à mistura de açúcar  mexendo com a vara de arames.Em seguida adicionar os ingredientes secos.

Levar ao forno a 180º numa forma bem untada e polvilhada de farinha, durante 15-20 minutos. Desenformar e deixar arrefecer sobre uma grelha. Cortar em três partes iguais e rechear uma com creme de chocolate e outra com chantilly aromatizado com licor de laranja. Cobrir com o restante recheio de chocolate e decorar de acordo com a imaginação.

Creme de chocolate:

Leve  meio pacote de natas com 2 colheres de sopa de margarina e 2 colheres de sopa de açúcar ao lume até ficarem quentes, mas não deixe ferver. Acrescente metade de uma tablete de chocolate cortada em pequenos pedaços e misture. Com um batedor de varas, mexa muito bem, até obter um creme liso e brilhante. Deixe arrefecer um pouco antes de utilizar.

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Folhas de chocolate:

Derreter um pedaço de chocolate para culinária no microondas até ficar completamente liquido e pincelar sobre folhas  escolhidas a gosto. Esta é de hortênsia. Deixar arrefecer à temperatura ambiente mas se estiver calor levar ao frio. Depois solta-se com cuidado e surgem como por magia bonitas folhas de chocolate. A minha filha adorou!

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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Despedidas

Quanta tristeza
Há nesta vida
Só incerteza
Só despedida
Amar é triste
O que é que existe?
O amor
Ama, canta
Sofre tanta
Tanta saudade
Do seu carinho
Quanta saudade
Amar sozinho
Ai de quem ama
Vive dizendo
Adeus, adeus

Vinícius de Moraes

Este é um dos muitos poemas de Vinícius de Morais entre tantos outros que eu adoro. Lembrei-me dele por vários motivos mas também a propósito destes bolinhos que são uma receita da minha avó e que segundo me recordo se ofereciam ás pessoas no final de  um baptizado, casamento ou até no final de uma estadia de férias. Uma espécie de  consolo para tornar a  tristeza da despedida mais doce. Actualmente muitas pessoas vivem voltadas para si próprias, para o seu mundo, indiferentes aos sentimentos dos outros e  esquecem-se de pequenos gestos, de palavras que podiam fazer de uma despedida um momento diferente em vez de a transformar numa mágoa profunda. Vamos pois fazer as "despedidas"    para que sempre que chegar a hora do adeus, esta seja suave e doce.

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Ingredientes:

500 gr de farinha sem fermento

80 gr de fermento de padeiro

1 dl de água morna

2 ovos

100 gr de açúcar

100 gr de manteiga levemente derretida

1 colher de chá de canela

1 colher de sobremesa de erva doce

100 gr de frutos secos ( passas, nozes, avelãs, amêndoas)

1 cálice de aguardente ou vinho do porto

raspa de 1 limão

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Preparação:

Numa tigela abre-se um buraco e no centro deita-se o fermento de padeiro dissolvido com a água morna. Amassa-se com um pouco de farinha e deixa-se repousar essa pequena bola cerca de 15 minutos. Passado esse tempo adiciona-se o açúcar, os ovos a manteiga, a canela, a erva doce, os frutos secos, o vinho do porto ou aguardente e a raspa. Amassa-se e soca-se muito bem  durante dez minutos, até formar uma bola. Se ficar muito mole vá juntando um pouco de farinha. Tapa-se com um pano e deixa-se levedar para o dobro. ( Para levedar mais rápido eu ligo o forno, deixo aquecer um pouco e desligo. Depois ponho a tigela lá dentro com esse calor).

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Depois de levedada a massa  retiram-se  pequenas porções e fazem-se bolas, tranças, caracóis, o que a imaginação ditar. Acomodam-se num tabuleiro levemente untado de margarina, não muito próximas umas das outras porque crescem bem, pincelam-se com ovo batido e polvilham-se com açúcar. Cozem cerca de 15 minutos ou até ficarem lourinhos.

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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Bolo de Amêndoa e Gila

No Kitab al-Wusla, um dos mais antigos e notáveis livros de cozinha medieval árabe, faz-se largo uso de amêndoas. A longa permanência dos árabes na Península Ibérica , principalmente nas regiões do sul,  está na origem da introdução da amêndoa em muitas  receitas até porque segundo reza a história foram os árabes que durante  esse período introduziram a cultura da amendoeira. Juntando  esta antiga herança com o doce de gila que era confeccionado com preceito nos vários conventos ou mosteiros e que depois se vulgarizou junto do povo, temos pois uma combinação perfeita e bastante utilizada em muitas das receitas da doçaria tradicional Portuguesa, principalmente  no Alentejo.

Este bolo é também fruto dessa combinação e apesar da simplicidade da  confecção apresenta aquele sabor tão  especial que identifica um doce típico da nossa surpreendente doçaria.

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Ingredientes:

200g de açúcar

250g de doce de gila

250g de miolo de amêndoa ralada sem casca

5 ovos

50g de farinha

2 colheres de sopa de manteiga derretida

1 colher chá de canela moída

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Preparação:

Liga-se o forno a 180º C. Unta-se uma forma com manteiga e forra-se com papel de alumínio ou vegetal, que se unta com manteiga e polvilha com farinha.Misturam-se os ovos com o açúcar e bate-se durante 5 minutos.Em seguida adiciona-se a manteiga, a amêndoa ralada, o doce de gila, a farinha e a canela.Mistura-se bem e deita-se esta mistura dentro da forma. Leva-se a cozer cerca de 30 minutos ou até se verificar com um palito que está cozido.Desenforma-se quando estiver completamente frio.Pode polvilhar-se com açúcar em pó  e enfeitar com fios de ovos.

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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Cheesecake de Bacon e Chouriço

No Entardecer dos Dias de Verão

No entardecer dos dias de Verão, às vezes,
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece
Que passa, um momento, uma leve brisa...
Mas as árvores permanecem imóveis
Em todas as folhas das suas folhas
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão,
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria...
Ah, os sentidos, os doentes que vêem e ouvem!
Fôssemos nós como devíamos ser
E não haveria em nós necessidade de ilusão ...
Bastar-nos-ia sentir com clareza e vida (...)

                                              Alberto Caeiro

O entardecer dos dias de Verão vai-se aproximando do fim . Na vida nada é perfeito, tudo termina, por mais que isso traga uma certa melancolia pois gostaríamos que tudo o que nos traz alegria, emoção, prazer, perdurasse no tempo. No entanto  temos de continuar e  um novo ciclo se inicia. Se reflectirmos convenientemente concluímos que provavelmente  não daríamos tanta importância ás coisas boas como as férias, se elas fossem intermináveis.

Sendo assim vamos aproveitar o que a vida  tem de real, "senti-la com clareza"  e nada melhor do que voltar à cozinha e deixar-mo-nos levar pelas sensações de saborosas receitas.

Principio por isso este "pós férias" com uma  receita que é muito fácil de confeccionar e que é uma boa ideia para levar para um  agradável pic nic de final de Verão. É um bolo bastante húmido mas possui um sabor semelhante ao da tradicional bola de carne.

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Ingredientes:

200 gr de farinha com fermento

1 colher de sobremesa de açúcar

1 dl de azeite

150 gr de queijo creme ou requeijão

4 ovos

1 dl de vinho branco

200 gr de bacon em tirinhas

100 gr de chouriço em quadradinhos

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Preparação:

Numa tigela bata os ovos com o azeite durante 5 minutos. Junte o vinho e adicione a farinha e o açúcar. Junte o bacon, o chouriço e o queijo. Forre uma forma rectangular ou quadrada não muito grande com papel vegetal. Unte-a bem e deite a mistura na forma. Leve ao forno a 180º durante 30 minutos. Retire e deixe arrefecer um pouco. Pode saborear-se morna ou fria.

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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Bolo de Água Mel

O bolo de água mel é uma receita alentejana que me foi facultada pela Mariana, uma simpática Oriolense, dona do supermercado da aldeia que me recebe amavelmente durante vários fins-de-semana por ano, desde há dez anos a esta data. Numa das várias conversas que se estendem para lá da compra do fantástico pão e de outras iguarias locais, surgiu a minha paixão pela culinária e palavra puxa palavra acabei a pedir às senhoras de Oriola, receitas tradicionais da aldeia e da região que ainda confeccionassem ou que estivessem esquecidas numa qualquer gaveta lá de casa. O pedido foi imediatamente aceite e a primeira receita que recebi foi esta que vou publicar hoje e que é um regalo para os sentidos. O aroma enquanto coze, o sabor , a cor, a textura húmida...enfim uma simples maravilha!

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Sobre o ingrediente principal do bolo, a água mel, posso dizer-vos que é  obtida a partir da fervura do resto da cera que ainda tem mel. Para saber se a água mel está em condições, basta deixar cair uma gota sobre a unha. Se ficar redondinha, pode tirar-se do fogo e guardar em frascos bem fechados. É mais escura do que o mel e com um sabor mais intenso, talvez menos doce. Não sei se encontramos facilmente água mel à venda nos habituais locais de compras. Eu comprei lá no supermercado da aldeia, mas nas lojas especializadas em produtos artesanais ou gourmet será provável que encontrem e assim possam  dedicar-se a fazer este delicioso bolo.

 

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Ingredientes:

6 ovos

3 chávenas de chá de açúcar

3 chávenas de chá de farinha

1 chávena de óleo

1 chávena  de leite

1 chávena  de água-mel

raspa de limão

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Preparação:

Batem-se as gemas com o açúcar, junta-se o leite e o óleo e mexe-se muito bem. Junta-se a água-mel e aos poucos a farinha e a raspa de limão. Levantam-se as claras em castelo e adicionam-se lentamente.

Vai ao forno a cozer em forma grande ou duas pequenas, com o fundo forrado com papel vegetal. Unta-se generosamente com manteiga e polvilha-se com farinha. Coze cerca de 1hora a 180º ou um pouco menos se o forno tiver tendência para queimar.

Deixa-se arrefecer   e desenforma-se.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Pataniscas de legumes

Quando passeio por Lisboa e os meus olhos se cruzam com  as “montras” das Tascas  e dos restaurantes baratos, saltam-me sempre à vista  e ao olfacto as travessas repletas de todo o tipo de fritos que se mostram pomposos da sua condição, fazendo esquecer a  má reputação de alimentos muito pouco recomendáveis para a saúde. No entanto não resisto a um bom panado, ao pastel de bacalhau, à chamuça e à patanisca. Por isso e no decorrer destas minhas andanças pela cidade, no outro dia, numa pequena tasca da rua da Madalena, a qual sinceramente não fixei o nome, provei uma inovação, pataniscas de legumes. É claro que continuo fã incondicional das nossas pataniscas de bacalhau mas também  estas me agradaram bastante  e por isso pesquisei uma receita e encontrei esta no blog da Mafalda Pinto Leite que me pareceu semelhante, exceptuando que as que provei tinham mais legumes e por isso alterei um pouco a receita.

Provem e comprovem pois são uma delicia!

http://mafaldapintoleite.blogs.sapo.pt/5019.html

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Ingredientes:

meia chávena de farinha sem fermento

meia chávena de água com gás

meia chávena de cenoura ralada

meia chávena de curgete ralada

2 colheres de sopa de cebola picada

meio pimento vermelho cortado em tirinhas

1 ovo

1/4 de colher de chá de açafrão das Índias

1/4 de colher de chá de cominhos em pó

1 colher de chá de açúcar fino

1/4 de chávena de coentros picados

1/4 de chávena de óleo vegetal

sal e pimenta q.b.

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Preparação:

Numa tigela grande, adicione a farinha, a água, o ovo, os cominhos, os coentros, o açafrão, o açúcar e o sal. Misture bem. Junte os legumes e misture.

Aqueça uma frigideira em lume médio-alto. Adicione o óleo e aqueça. Junte 2 colheres de sopa de massa por patanisca e cozinhe durante 2 minutos de cada lado ou até estar dourada. Escorra em papel absorvente. Adicione mais óleo se necessário. Tempere com sal e pimenta

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sexta-feira, 23 de julho de 2010

Queques de Iogurte

Presume-se que o “queque” português tem origem  nos cupcakes ingleses. Estes últimos datam do inicio do século XIX  quando se utilizavam pequenas chávenas ou copos de porcelana ou de lata para os cozinhar. Eram vendidos nas ruas de Londres para acompanhar o famoso chá. Nessa altura Portugal tinha uma “sede” de tudo o que viesse do exterior, principalmente de França ou Inglaterra e na nossa gastronomia isso foi bem visível, sendo os queques mais uma dessas heranças. Curiosamente os célebres muffins americanos também têm origem nos cupcakes ingleses, mas originalmente mais simples na sua  confecção e apresentação.

DSC00460 São muitas e variadas as receitas de queques, cupcakes ou muffins. E apesar de a minha favorita ser a do tradicional queque nacional, hoje apeteceu-me fazer estes queques muito simples que a minha filha adora e que apelida de  “quequezinhos” de iogurte.

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Ingredientes:

1 iogurte  natural
250g de açúcar amarelo
1 dl de óleo
4 ovos
250g de farinha
1 colher de chá de fermento em pó
1 laranja

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Preparação:


Bater o iogurte com o açúcar e o óleo durante algum tempo. Juntar os ovos um a um e bater suavemente entre cada adição. Por fim, envolver a farinha, o fermento e o sumo da laranja. Distribuir pelas forminhas  e levar ao forno cerca de 15/20 minutos a 180ºC. Deixar arrefecer um pouco e desenformar.

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