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sexta-feira, 7 de abril de 2017

Queijinhos do Céu

Páscoa, ovos, amêndoa e a minha paixão pela Doçaria Conventual, conduziram-me a uma receita que há muito queria experimentar, Queijinhos do Céu.  
Antigamente as claras de ovo eram usadas para engomar os paramentos das igrejas, os hábitos de freiras e de frades. Diz-se ainda que as claras aveludavam os licores que os frades faziam e as cascas de ovo retinham-lhes o “pé”.
Mas o que fazer com tanta gema que sobrava? Não sem demora “transformaram-se” nestas coisas boas, os Queijinhos do Céu, doce conventual confeccionado em vários pontos do país como em Constância pelas Irmãs Clarissas ou em Mora no Alentejo
Da forma mais convencional, é moldado à mão um recipiente cilíndrico – o queijinho – feito de massa de amêndoa,  dentro do qual se introduz um  doce de ovo .
A minha reinterpretação desta receita adicionou-lhe canela e um formato mais arredondado. Mas o sabor, esse, manteve-se e é impossível resistir a estes pequenos pecados de Céu.




O que leva:
400 g de açúcar em pó
500 g de amêndoa em pó
200 g de doce de ovos
2 claras
uma colher de café de canela
Açúcar em pó para polvilhar



Como se faz:
Deite a amêndoa em pó e o açúcar para uma tigela e misture bem. Junte depois as claras e amasse muito bem com as mãos até ficar uma massa consistente.
Divida a mistura anterior em 18 porções, abra uma cavidade em cada uma delas, junte um pouco dos ovos-moles, dobre a massa e dê a forma de um queijinho pequeno, aconchegando bem com as mãos.
Polvilhe os "queijinhos" com açúcar em pó e canela.




terça-feira, 28 de março de 2017

Pão-de-Ló da Ana

Diz-se que a receita do pão-de-ló húmido terá sido resultado de um acaso. Consta que por erros de cozedura uma freira terá antecipado a saída do forno de um pão-de-ló e daí ter ficado cremoso, o que faz as delícias dos seus apreciadores. A freira seria do Convento de Cós, próximo de Alcobaça, e a atrapalhação, reza a lenda (que tanto atribui o "erro" à freira como a senhoras da terra, que teriam aprendido a receita com as freiras), teria sido provocada por uma visita do rei D. Carlos .  O nervosismo da freira fez com que o bolo saísse do forno antes do tempo e isso acabou por o tornar único.


O pão-de-ló da Ana não é arte do acaso mas sim da alegria  com que o confecciona tornando todos aqueles que o provam indubitavelmente mais felizes.

Obrigada, Ana, por amavelmente me teres brindado com o teu marvilhoso bolinho e cedido a respectiva receita!!!


O que leva:

(para uma forma sem buraco de 20 cm)

4 ovos
8 gemas
uma chávena  de chá de açúcar

meia chávena de farinha (com fermento)



Como se faz:

Forre uma forma redonda sem buraco, com papel vegetal e unte o papel com margarina ou manteiga.

Pré aqueça o forno a 230º

Bata com a batedeira os ovos inteiros com  o açúcar durante 10 minutos.
A gemada tem de adquirir volume. Adicionam-se as gemas e bate-se mais 10 minutos.
Depois a farinha peneirada sobre a gemada e mistura-se lentamente até ficar bem envolvida
Deita-se na forma previamente untada e vai ao forno durante 10 minutos a 230º .
Os lados devem ficar cozidos

mas o centro deve permanecer húmido.
Retire do forno, aguarde uns minutos e desenforme com a ajuda do papel vegetal.
Deixe arrefecer e sirva ainda morno ou frio.





domingo, 19 de fevereiro de 2017

Pastéis de Feijão


    “Catar feijão se limita com escrever:
      Jogam-se os grãos na água do alguidar
      E as palavras na da folha de papel;
      e depois, joga-se fora o que boiar.
      Certo, toda palavra boiará no papel,
      água congelada, por chumbo seu verbo;
      pois catar esse feijão, soprar nele,
      e jogar fora o leve e oco, palha e eco.”
                                               João Cabral de Melo Neto




O que leva:

Massa folhada ( duas embalagens - 30 pastéis)

Recheio:
500 g de açúcar; 

100 g de feijão branco cozido
25 g de amêndoas
6 ovos
6 gemas
farinha
açúcar em pó






Como se faz:

O recheio faz-se pelando-se as amêndoas que a seguir se ralam. Passa-se o feijão pelo passador. Juntam-se as amêndoas ao puré de feijão e adicionam-se os ovos inteiros e as gemas passados por um passador de rede.
Leva-se o açúcar ao lume com um pouco de água e deixa-se ferver até atingir ponto assoprado (39º Baumé ou 115º C). Adiciona-se o xarope ao preparado de feijão, amêndoas e ovos. Mistura-se muito bem.
Enquanto o recheio arrefece, forram-se forminhas de queques com a massa folhada. Enchem-se com o recheio, polvilham-se com um pouco de farinha e depois com açúcar em pó.
Levam-se a cozer em forno quente (225º C) durante cerca de 25 minutos.







domingo, 29 de dezembro de 2013

Pudim de Abóbora

A Dona Rosa presenteou-me com uns belíssimos exemplares de “rabecos”, nome engraçadíssimo pelo qual apelida  as suas abóboras ou cabaças. Além disso facilita-nos as receitas porque se dá ao trabalho de  as pesar todas com inequívoca exactidão.

Tamanha dedicação à sua produção de rabecos natalícios só podia resultar num pudim com uma cor excepcional e um sabor igualmente divinal como aquele que hoje vos apresento…

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Ingredientes:

750 gr de abóbora limpa cortada em pedaços

1 pau de canela

250g de açúcar

5 ovos

1 colher de sopa de maizena

50gr de coco ralado

50 gr de margarina

raspa de uma laranja

caramelo liquido para barrar a forma

 

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Preparação:

Coza a abóbora em água juntamente com um pau de canela. Depois de cozida deixe escorrer bem e passe com a varinha mágica até obter um puré.
À parte junte a maizena com o açúcar e o coco ralado. Adicione estes ingredientes secos ao puré de abóbora, misture bem e adicione depois os ovos, a raspa de laranja e a margarina derretida. Mexa muito bem para incorporar tudo e coloque a mistura na forma caramelizada.

Leve ao forno em banho-maria  a 180º, cerca de 1 hora.

Deixe arrefecer e se possível mantenha algumas horas no frio antes de desenformar.

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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Sonhos com calda de vinho tinto

Os sonhos  eram eximiamente confeccionados pela minha tia avó, outra das mulheres responsáveis pelo meu amor à cozinha, a par da minha mãe e da minha avó.  Mas eram sonhos que continham em si  a particularidade de levar uma calda diferente da calda habitual porque era uma calda de vinho tinto. Aliás ela dizia em tom de brincadeira que gostava de “embebedar os sonhos”…

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Ingredientes para a massa dos sonhos:

2,5 dl de água

2,5 dl de leite

150 gr de margarina

350 gr de farinha

8 ovos grandes

Casca de limão

Sal q.b.

Óleo para fritar

 

Ingredientes para a calda:

½ chávena de chá de água

1 chávena de açúcar

1 chávena de vinho tinto de qualidade

1 pau de canela

1 casca de laranja

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Preparação dos sonhos:

Leve ao lume, num tacho, a água com o leite, a margarina, a casquinha de limão e uma pitada de sal. Deixe ferver e junte a farinha de uma só vez, mexendo logo e batendo muito bem com colher de pau, para não granular. Mexa bem sobre o lume fraco até que a massa se descole do fundo do tacho.
Despeje então numa tigela , retire a casca de limão e deixe arrefecer.
Junte depois os ovos um a um, amassando sempre e batendo bem a massa que deve ficar fofa.
Deite óleo numa frigideira com cerca de dois dedos de altura. Leve ao lume e deixe aquecer, mas não muito. Seguidamente com uma colher de sopa deite porções de massa no óleo, deixando fritar muito lentamente com o lume no mínimo. Não frite muitos de cada vez pois se crescem bastante não caberão na frigideira. Durante a fritura vá virando os sonhos para ficarem grandes, lourinhos e fofos. Retire, deixe escorrer sobre papel absorvente, disponha num prato e regue com a calda.

 

Preparação da calda:

Junte na panela a água, o vinho, a casca de laranja, o pau de canela o açúcar e leve a lume médio, mexendo bem devagar, até ferver cerca de 5 minutos. Deixe repousar um pouco fora do lume e regue os sonhos.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Broa de Canela

Em 1417, num documento albergado na Torre do Tombo define-se broa como ‘pão de painço de que usavam os pobres’. Com os Descobrimentos e com a chegada do milho esta passou a ser confeccionada utilizando-o quase em exclusivo . Era o pão do dia-a-dia do povo.
Em muitas regiões do país com preponderância para Minho e Beiras, a broa continua a ser uma constante em todas as mesas, tendo surgido variações da mesma como esta Broa de Milho de Canela de Ossela, terra  do grande escritor Ferreira de Castro.DSCF2018

Ingredientes:
  • Farinha de Milho – 750 gr
  • Farinha de trigo – 300 gr
  • Açúcar – 150 gr
  • 2 colheres de sopa de canela
  • Fermento de Padeiro - 150gr
  • Água - 1,25 litros
  • Sal - q.b.
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Preparação:
Mistura toda a farinha de milho com a água quente temperada com sal. Quando essa massa arrefecer está na altura de amassar um pouco, normalmente os movimentos são de puxar as bordas e amassar para dentro. Quanto estiver bem amassada junta-se o fermento com 200 gr de farinha de trigo, o açúcar e a canela e volta-se a amassar. Depois de bem amassada cobrir com um pano e deixar levedar durante 1 hora. Por fim estende-se a broa com a restante farinha de trigo e coze-se no forno á temperatura máxima num tabuleiro polvilhado com farinha.

sábado, 9 de novembro de 2013

Regueifa de frutos secos

A regueifa designa em Portugal um pão de romaria.É típica do Norte de Portugal, sendo conhecida desde o Minho até à região de Aveiro. Com a industrialização a regueifa, em especial no Entre-Douro-e-Minho, popularizou-se como pão domingueiro

O nome desta iguaria, assim como a forma tradicional de preparação, parecem intimamente ligados à massa original marroquina chamada rghaif  e especificamente à variante chamada meloui, em que a massa é entrançada antes de cozer.

Esta minha regueifa é uma variação da regueifa tradicional porque lhe acrescentei frutos secos e um pouco de vinho licoroso.

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Ingredientes:

  • 25g de fermento de padeiro
  • 2,5 dl de leite morno
  • 600g de farinha sem fermento
  • 100g de manteiga amolecida
  • 130g de açúcar
  • 1 colher de chá de canela em pó
  • 2 ovos
  • uma chávena de frutos secos
  • 1 cálice de vinho do porto ou outro vinho doce

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Preparação:


Dissolva o fermento na água morna.
Noutro recipiente deite a farinha, a manteiga, o açúcar, a canela, os ovos, os frutos secos embebidos no vinho doce e por último o fermento. Bata com a batedeira ou à mão até descolar do recipiente.
Faça uma bola com a massa e coloque noutro recipiente polvilhada com farinha, cubra com um plástico e deixe levedar até triplicar o volume. Pode acelerar este processo se aquecer um pouco o forno e o desligar, colocando lá dentro a tigela com a massa.
Barre um tabuleiro com margarina.
Deite de novo a massa em cima de uma mesa polvilhada com farinha. E faça uma roda.
Cubra novamente com um plástico e deixe levedar mais 15 minutos.
Ligue o forno a 200ºc e pincele a massa com ovo batido. Polvilhe com frutos secos e açúcar. Leve ao forno 20 minutos.
Quando estiver cozida deixe arrefecer um pouco e sirva.

domingo, 21 de outubro de 2012

Sericaia ou Sericá

A Sericaia é um doce tipicamente alentejano cuja receita é de origem duvidosa: há quem diga que é proveniente da Índia, há quem diga que veio do Brasil. A verdade é que o doce começou a ser confeccionado por dois conventos alentejanos que reclamam a receita original: o Convento das Chagas de Vila Viçosa e o Convento das Clarissas de Elvas. De forma a tornar a rivalidade mais espicaçada, um convento chama ao doce Sericaia e o outro chama Sericá.  É que o sabor do doce é único porque tem uma particularidade interessante: a textura fofa do doce é embelezada pelas famosas ameixas de Elvas. Estes frutos, de tradição abastada, e o seu molho de calda, são a junção de sabores únicos  que nos levam a fechar os olhos e divagar.

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Ingredientes:

0.5 l de leite

70 gr. de farinha

7 ovos

200 gr. de açúcar

3 colheres  de sopa de canela em pó

casca de limão

1 pau de canela

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Preparação:

Ferve-se o leite com a casca de limão e o pau de canela e deixe arrefecer. Depois dissolva a farinha com uma pitada de sal, num pouco de leite já morno,  leve ao lume a engrossar, retire e deixe arrefecer. Noutro recipiente bata as gemas com açúcar até obter creme fofo. Misture o preparado de gemas ao de farinha depois de este ter arrefecido! Bata as claras em castelo e adicione ao preparado anterior com cuidado. Unta-se  levemente com  manteiga um prato grande de barro ou um recipiente semelhante e deite colheradas desencontradas do preparado. Polvilhe com canela e leve ao forno bem quente, cerca de 220 graus, até começar abrir uma espécie de fendas. Sirva frio, acompanhado de ameixas de Elvas.

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