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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Raia Seca


A tradição da preparação de peixe seco por parte das comunidades piscatórias de muitas localidades do  litoral português, advém da necessidade da sua conservação para períodos de escassez, seja pelas condições do mar seja pela própria ocorrência sazonal dessas espécies.
Além de constituírem uma “reserva alimentar” para essas comunidades foram também, numa época em que a refrigeração era inexistente,  um recurso de conservação que permitia a comercialização deste pescado para pontos distantes do litoral.



As suas excepcionais características gastronómicas, que elevam algumas especialidades ao patamar “gourmet”.
Tal como acontece com o bacalhau, a secagem e a salga, transmitem aos peixes características muito diversas do seu consumo em fresco, com paladares mais ricos. 
Após um período de demolha mais ou menos prolongado (dependendo das espécies) as diferentes especialidades podem ser consumidas grelhadas, cozidas, cruas, guisadas….
A raia seca necessita de cerca de 48 horas com 4 a 5 mudanças de água de preferência, fresca.


Depois basta cortar em tiras, enxugar , passar por farinha de milho e fritar em óleo bem quente.




Esta raia contou com a companhia perfeita de uma favas cozidas e aromatizadas com ervas do quintal do meu pai. 






segunda-feira, 3 de abril de 2017

Pãezinhos recheados com farinheira e queijo creme com ervas finas



Farinheira e pão... Dois imprescindíveis  da nossa gastronomia!
A farinheira é um enchido cuja  autoria se atribui aos  judeus portugueses. Estes, no tempo em que decorria a inquisição, elaboravam e consumiam a farinheira como forma de simularem o consumo de carne de porco, dado que esta é a grande parte do seu recheio assim como de outros enchidos.
A farinheira como o seu próprio nome indica, leva na sua composição farinha, que tanto pode ser de trigo como de milho, de forma a conseguir-se uma massa à qual  é adicionada massa de pimentão, colorau e vinho para além da gordura de porco. Nalgumas regiões é também frequente a adição de sumo de laranja.
Quanto à sua preparação sabe-se que esta composição é metida dentro de tripas previamente preparadas, mas que tem uma particularidade e que faz a diferença dos outros enchidos: a tripa não é completamente cheia. Para terminar, a sua cura é feita no fumeiro tal como os outros enchidos que conhecemos. No que se refere à conservação o melhor mesmo é deixa-la num lugar bem fresco para que não azede.
Nesta  receita juntei a farinheira ao pão para confeccionar uma entrada  que é uma verdadeira tentação!!!


O que leva:

1 farinheira
4 pãezinhos tipo bolinhas de trigo
1/2 cebola pequena, muito bem picada
1 dente de alho picado
2 colheres sopa de queijo creme com ervas finas ( tipo philadelphia)
2 colheres de sopa natas ou leite
1 fio de azeite 
Oregãos q.b.
Tomilho q.b.
50 g de azeitonas pretas picadas
150 g de queijo  picado grosseiramente




Como se faz:

Comece por retirar a parte superior do pão, de modo a que fique com uma espécie de taça. Retire todo o miolo do seu interior e reserve as tampinhas de pão.
Aqueça um fio de azeite e junte-lhe a cebola e o dente de alho, picados, deixe-a amolecer e acrescente  a farinheira, sem pele e desfeita. Mexa, em lume brando, regue com o leite ou as natas, misturando bem. Junte as azeitonas, tempere com uma pitada de sal e os oregãos, envolva tudo bem e deixar cozinhar, em lume brando, até o molho ter uma consistência espessa. Por fim, acrescente o tomilho e, se achar necessário, retifique o sal.
Recheie o pão, polvilhe-o com o queijo ralado grosseiramente e leve-o ao forno, pré-aquecido a 180ºC, durante 10 minutos ou até gratinar e alourar um pouco.
Sirva quente acompanhado de tostas ou com o próprio pão



terça-feira, 28 de março de 2017

Pão-de-Ló da Ana

Diz-se que a receita do pão-de-ló húmido terá sido resultado de um acaso. Consta que por erros de cozedura uma freira terá antecipado a saída do forno de um pão-de-ló e daí ter ficado cremoso, o que faz as delícias dos seus apreciadores. A freira seria do Convento de Cós, próximo de Alcobaça, e a atrapalhação, reza a lenda (que tanto atribui o "erro" à freira como a senhoras da terra, que teriam aprendido a receita com as freiras), teria sido provocada por uma visita do rei D. Carlos .  O nervosismo da freira fez com que o bolo saísse do forno antes do tempo e isso acabou por o tornar único.


O pão-de-ló da Ana não é arte do acaso mas sim da alegria  com que o confecciona tornando todos aqueles que o provam indubitavelmente mais felizes.

Obrigada, Ana, por amavelmente me teres brindado com o teu marvilhoso bolinho e cedido a respectiva receita!!!


O que leva:

(para uma forma sem buraco de 20 cm)

4 ovos
8 gemas
uma chávena  de chá de açúcar

meia chávena de farinha (com fermento)



Como se faz:

Forre uma forma redonda sem buraco, com papel vegetal e unte o papel com margarina ou manteiga.

Pré aqueça o forno a 230º

Bata com a batedeira os ovos inteiros com  o açúcar durante 10 minutos.
A gemada tem de adquirir volume. Adicionam-se as gemas e bate-se mais 10 minutos.
Depois a farinha peneirada sobre a gemada e mistura-se lentamente até ficar bem envolvida
Deita-se na forma previamente untada e vai ao forno durante 10 minutos a 230º .
Os lados devem ficar cozidos

mas o centro deve permanecer húmido.
Retire do forno, aguarde uns minutos e desenforme com a ajuda do papel vegetal.
Deixe arrefecer e sirva ainda morno ou frio.





domingo, 19 de fevereiro de 2017

Pastéis de Feijão


    “Catar feijão se limita com escrever:
      Jogam-se os grãos na água do alguidar
      E as palavras na da folha de papel;
      e depois, joga-se fora o que boiar.
      Certo, toda palavra boiará no papel,
      água congelada, por chumbo seu verbo;
      pois catar esse feijão, soprar nele,
      e jogar fora o leve e oco, palha e eco.”
                                               João Cabral de Melo Neto




O que leva:

Massa folhada ( duas embalagens - 30 pastéis)

Recheio:
500 g de açúcar; 

100 g de feijão branco cozido
25 g de amêndoas
6 ovos
6 gemas
farinha
açúcar em pó






Como se faz:

O recheio faz-se pelando-se as amêndoas que a seguir se ralam. Passa-se o feijão pelo passador. Juntam-se as amêndoas ao puré de feijão e adicionam-se os ovos inteiros e as gemas passados por um passador de rede.
Leva-se o açúcar ao lume com um pouco de água e deixa-se ferver até atingir ponto assoprado (39º Baumé ou 115º C). Adiciona-se o xarope ao preparado de feijão, amêndoas e ovos. Mistura-se muito bem.
Enquanto o recheio arrefece, forram-se forminhas de queques com a massa folhada. Enchem-se com o recheio, polvilham-se com um pouco de farinha e depois com açúcar em pó.
Levam-se a cozer em forno quente (225º C) durante cerca de 25 minutos.







sábado, 5 de abril de 2014

Pataniscas de bacalhau

Diz-se que as pataniscas são originárias de  Lisboa, nascidas das aparas de bacalhau que os galegos guardavam nas suas tabernas no séc. XIX. Os galegos emigraram para Lisboa desde a época dos Descobrimentos para trabalharem na indústria naval, e mais tarde  no Aqueduto das Águas Livres. Pela capital foram  abrindo tabernas e carvoarias. Os lisboetas chegaram a pedir que fossem expulsos da cidade, porque, diziam que  os galegos roubavam empregos. Pina Manique recusou-se a expulsá-los. "E depois quem é que mete as mãos no carvão?", perguntou ao povo. Ninguém. Ficaram os galegos, as tabernas e as pataniscas.

As pataniscas hoje confeccionam-se um pouco por todo o Portugal e esta receita de pataniscas bem caseira é disso um exemplo porque é da Beira Litoral. É uma das que mais me agrada pela sua textura suave e fofa, daquelas que nos fazem comer uma e mais uma e outra e mais outra…

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Ingredientes:

500g de bacalhau
4 ovos
200ml de leite
salsa
1 cebola média picadinha
pimenta q.b.
300g de farinha branca de neve
Sal q.b.
Óleo q.b. para fritar

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Preparação:

Mistura-se a farinha o sal e a pimenta.
Juntam-se os  ovos e mexe-se tudo com a colher de pau. Junta-se o bacalhau, previamente limpo de peles e espinhas e desfiado, a cebola e a salsa. Depois é só fritar às colheradas, e pôr a escorrer sobre papel absorvente.