quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Achigãs e abletes de escabeche

No último fim de semana eu e a família dedicámo-nos a uma actividade de que gostamos muito, a pesca. A barragem lá da aldeia atingiu um nível médio e deixou a descoberto a estrada antiga criando uma barreira que estancou o peixe num dos lados.
DSC01664Pegamos então nas nossas mini canas de pesca , no isco (asticot - um pouco repugnante por sinal) e lá fomos muito lampeiros e optimistas, como devem ser os bons pescadores.Mas por mais optimismo que se respirasse perante a empreitada, nada  fazia prever tal fartura. O resultado da pescaria saldou-se em cerca de 50 peixinhos, entre achigã  e abletes, ambos peixes de água doce muito saborosos. .
O pior foi amanhar o peixe! Bem precisei da tal  "paciência de chinês". Mas valeu a pena porque o escabeche ficou óptimo. Uma refeição bem diferente para o almoço de Domingo.
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Ingredientes:
Peixe de água doce (abletes e achigãs)
sumo de 1 limão grande
alho
sal e pimenta q.b.
farinha de milho
óleo
Escabeche:
1 cebola grande
2 dentes de alho
azeite
2 folhas de louro
1 colher de chá de pimentão doce
1 colher de sopa de vinagre
DSC01738Abletes e achigã de escabeche

Preparação:
Amanhar o peixe e temperá-lo com bastante sumo de limão, alho cortado finamente, sal e pimenta e deixar nesta marinada cerca de 5 horas. Enxugar o peixe, passá-lo por farinha de milho e fritar.
Entretanto prepare o molho de escabeche. Frite a cebola numa frigideira cujo fundo esteja coberto de azeite, juntamente com o alho picado e o louro. Quando a cebola ficar translúcida, juntar o  pimentão doce e o vinagre. Deixar apurar 2 ou 3 minutos e deitar por cima do peixe frito.
Delicioso!
DSC01743Achigã

sábado, 9 de outubro de 2010

Bolos Folhados do Alentejo - Oriola

Estes bolos folhados são mais uma receita tradicional do Alentejo que  a par de tantas outras  tenho trazido a este blog. É uma receita antiga e a senhora que ma deu só avisou que tinha de ter muita força para "amassari, amassari e tornar a amassari." (Realmente venero o sotaque alentejano, não há sotaque mais bem disposto!)

E bem dispostos ficamos logo pela manhã saboreando estes bolos bem fofinhos com um café acabado de fazer. É impossível resistir à provocação!!!

A aparência não ilude, façam e comprovem como ficam formosos e deliciosos. Podem ser inimigos de dietas e afins mas como temos de amassar bastante acabamos por juntar o útil ao agradável.

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Ingredientes:


1 Kg de farinha tipo 55
50 gr de fermento de padeiro
250 gr de banha para a massa + 150 para enrolar os bolos
6 ovos
200 grs de açúcar misturado com uma colher de chá de canela
0,5 dl de aguardente
açúcar para polvilhar

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Podem rechear-se com gila depois de enrolados, alargando o espaço deixado pelo cabo da colher de pau e introduzindo com cuidado o doce. Eu prefiro-os simples.

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Preparação:


Peneira-se a farinha. Junta-se-lhe o açúcar, 250 gr de banha derretida e um pouco de água morna (suficiente para se obter uma massa que se possa trabalhar).Dissolve-se o fermento num pouco de água tépida e junta-se à massa anterior. Amassa-se bastante e à medida que se vai trabalhando, juntam-se os ovos, um a um, e a aguardente.Amassa-se cerca de 30 minutos. Deve-se ter o cabo de uma colher de pau grande  que se unta com um pouco de banha. Estende-se a massa o mais fina possível com o rolo da massa, cortam-se tiras mais largas num dos lados e mais estreita noutro e vão-se enrolando à volta deste e untando com banha as tiras.Quando o rolo de massa tiver o tamanho desejado, retira-se o pau, ajeita-se o rolo de massa, dando-lhe uma forma regular e corta-se com muito cuidado.Não é preciso ficar um rolo demasiado grosso porque vão levedar.
Colocam-se num tabuleiro, cobrem-se com um pano  e deixam-se levedar cerca de 6 horas em local aquecido, por exemplo dentro de um forno que se liga um pouco e depois desliga-se, deixando o tabuleiro lá dentro.
Levam-se os bolos a cozer em forno bem quente e polvilham-se imediatamente com açúcar quando estiverem cozidos para o açúcar pegar. Estão cozidos quando mostrarem este aspecto tostado.

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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Pãezinhos de maçã

Felizmente tenho a sorte de ainda poder comer maçãs totalmente "ao natural" ou como se diz agora, biológicas. O meu pai  dedica parte do seu tempo de reformado à Horta que têm nos quintal e nela podemos encontrar um pouco de tudo incluindo árvores de fruto. Por isso todos os anos temos "fartura" de maçãs, riscadinhas, amarelinhas,mais redondinhas, menos redondinhas, que não conseguem competir com a beleza aparente  das enormes e lustrosas maçãs normalizadas, mas só pelo aroma que deixam na minha cozinha fazem adivinhar o quanto saborosas são. Com tantas maças não podia deixar de fazer umas receitazinhas e estes pãezinhos pouco doces são uma opção muito saudável e deveras apetitosa.
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Ingredientes: 
2 chávenas de farinha com fermento
meia chávena de açúcar amarelo
2 chávenas de maçãs raladas
meia chávena de óleo
2 ovos
1 colher de chá de canela
meia colher de chá de noz moscada
meia chávena de frutos secos (nozes, passas, avelãs, o que tivermos em casa)
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Preparação:
Numa tigela junta-se o açúcar com a farinha, a canela e o cravinho. Abre-se um buraco ao centro e nele deitam-se os ovos, o óleo, a maçã e os frutos secos. Com uma colher de pau vai-se envolvendo a massa até ficar bem húmida. Liga-se o forno a 180º e deita-se a massa em forminhas untadas com manteiga. Coze cerca de 15 a 20 minutos.
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domingo, 26 de setembro de 2010

Bolachas de limão

Um dia destes ouvi esta expressão "A simplicidade das coisas simples".  Pareceu-me redundante na altura, mas interiorizei-a  e surge-me com  frequência quando me deparo com certas situações que pela sua simplicidade acabam por ser surpreendentes.

Tal aconteceu exactamente com esta receita que retirei do livro "Cozinha para quem não tem tempo " da Mafalda Pinto Leite. São umas bolachas de manteiga aromatizadas com limão, muito simples de confeccionar, com  poucos ingredientes mas cujo resultado são umas bolachinhas estaladiças, deliciosas. Que me perdoe a industria alimentar, mas jamais conseguiremos encontrar na prateleira de uma loja um pacote  com umas bolachas assim, com este sabor autêntico. Por isso a família adorou e desapareceram num ápice com pedidos constantes para que se façam mais.

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Ingredientes:

175 gr de farinha sem fermento

raspa de 1 limão

110 gr de manteiga à temperatura ambiente (usei mesmo manteiga)

50 gr de açúcar

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Preparação:

Aqueça previamente o forno a 180º. Coloque a farinha e raspa de limão numa tigela grande, adicione a manteiga aos pedaços e esfarele com os dedos. Junte o açúcar e amasse delicadamente com as mãos para formar uma bola de massa compacta. Não adicione água, mesmo que pense que é preciso. Estique a massa cuidadosamente( eu estendi sobre uma superfície enfarinhada com o rolo também enfarinhado) até obter uma espessura de 1/2 cm. Corte bolachas com cortador de bolachas ou com um copo e coloque num tabuleiro forrado com papel vegetal. Leve ao forno cerca de 10 minutos, até começarem a dourar. Deixe arrefecer e retire.

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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Delicia de Chocolate

"A ordem é o prazer da razão: mas a desordem é a delícia da imaginação."  Paul Claudel

A receita de hoje está em tudo relacionada com  esta extraordinária citação. Quis pôr em prática algumas das técnicas que aprendi recentemente e ao mesmo tempo deixar-me levar pela imaginação, sem uma ordem previamente estabelecida, sem ter a noção concreta do resultado final. Por vezes um pouco de desordem também é precisa nas nossas vidas, solta-nos e encaminha-nos para outras paragens quiçá mais sedutoras e saborosas. Aqueles que dependem exageradamente da ordem, da razão perderão por certo muitos dos prazeres terrenos.

Imaginemos então aquilo que nos dá prazer, com uma fatia desta delicia como companhia...

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Ingredientes:

Bolo:

200 gr de açúcar

6 ovos

40 gr de fécula de batata

40 gr de cacau em pó

140 gr de farinha

60 gr de manteiga

1  pacote de natas batidas em chantilly aromatizado com licor de laranja (facultativo)

carambolas

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Preparação:

Misturar os ovos com o açúcar num recipiente que possa ir ao lume e levar a aquecer em banho maria até atingir os 45º (cerca de 10 minutos), mexendo lentamente. Depois de retirar do lume, com uma batedeira eléctrica bater durante 10 minutos até obter um creme esbranquiçado. Em seguida peneirar os ingredientes secos. A farinha, a fécula, e o cacau. Aquecer um pouco a manteiga e juntar à mistura de açúcar  mexendo com a vara de arames.Em seguida adicionar os ingredientes secos.

Levar ao forno a 180º numa forma bem untada e polvilhada de farinha, durante 15-20 minutos. Desenformar e deixar arrefecer sobre uma grelha. Cortar em três partes iguais e rechear uma com creme de chocolate e outra com chantilly aromatizado com licor de laranja. Cobrir com o restante recheio de chocolate e decorar de acordo com a imaginação.

Creme de chocolate:

Leve  meio pacote de natas com 2 colheres de sopa de margarina e 2 colheres de sopa de açúcar ao lume até ficarem quentes, mas não deixe ferver. Acrescente metade de uma tablete de chocolate cortada em pequenos pedaços e misture. Com um batedor de varas, mexa muito bem, até obter um creme liso e brilhante. Deixe arrefecer um pouco antes de utilizar.

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Folhas de chocolate:

Derreter um pedaço de chocolate para culinária no microondas até ficar completamente liquido e pincelar sobre folhas  escolhidas a gosto. Esta é de hortênsia. Deixar arrefecer à temperatura ambiente mas se estiver calor levar ao frio. Depois solta-se com cuidado e surgem como por magia bonitas folhas de chocolate. A minha filha adorou!

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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Despedidas

Quanta tristeza
Há nesta vida
Só incerteza
Só despedida
Amar é triste
O que é que existe?
O amor
Ama, canta
Sofre tanta
Tanta saudade
Do seu carinho
Quanta saudade
Amar sozinho
Ai de quem ama
Vive dizendo
Adeus, adeus

Vinícius de Moraes

Este é um dos muitos poemas de Vinícius de Morais entre tantos outros que eu adoro. Lembrei-me dele por vários motivos mas também a propósito destes bolinhos que são uma receita da minha avó e que segundo me recordo se ofereciam ás pessoas no final de  um baptizado, casamento ou até no final de uma estadia de férias. Uma espécie de  consolo para tornar a  tristeza da despedida mais doce. Actualmente muitas pessoas vivem voltadas para si próprias, para o seu mundo, indiferentes aos sentimentos dos outros e  esquecem-se de pequenos gestos, de palavras que podiam fazer de uma despedida um momento diferente em vez de a transformar numa mágoa profunda. Vamos pois fazer as "despedidas"    para que sempre que chegar a hora do adeus, esta seja suave e doce.

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Ingredientes:

500 gr de farinha sem fermento

80 gr de fermento de padeiro

1 dl de água morna

2 ovos

100 gr de açúcar

100 gr de manteiga levemente derretida

1 colher de chá de canela

1 colher de sobremesa de erva doce

100 gr de frutos secos ( passas, nozes, avelãs, amêndoas)

1 cálice de aguardente ou vinho do porto

raspa de 1 limão

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Preparação:

Numa tigela abre-se um buraco e no centro deita-se o fermento de padeiro dissolvido com a água morna. Amassa-se com um pouco de farinha e deixa-se repousar essa pequena bola cerca de 15 minutos. Passado esse tempo adiciona-se o açúcar, os ovos a manteiga, a canela, a erva doce, os frutos secos, o vinho do porto ou aguardente e a raspa. Amassa-se e soca-se muito bem  durante dez minutos, até formar uma bola. Se ficar muito mole vá juntando um pouco de farinha. Tapa-se com um pano e deixa-se levedar para o dobro. ( Para levedar mais rápido eu ligo o forno, deixo aquecer um pouco e desligo. Depois ponho a tigela lá dentro com esse calor).

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Depois de levedada a massa  retiram-se  pequenas porções e fazem-se bolas, tranças, caracóis, o que a imaginação ditar. Acomodam-se num tabuleiro levemente untado de margarina, não muito próximas umas das outras porque crescem bem, pincelam-se com ovo batido e polvilham-se com açúcar. Cozem cerca de 15 minutos ou até ficarem lourinhos.

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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Bolo de Amêndoa e Gila

No Kitab al-Wusla, um dos mais antigos e notáveis livros de cozinha medieval árabe, faz-se largo uso de amêndoas. A longa permanência dos árabes na Península Ibérica , principalmente nas regiões do sul,  está na origem da introdução da amêndoa em muitas  receitas até porque segundo reza a história foram os árabes que durante  esse período introduziram a cultura da amendoeira. Juntando  esta antiga herança com o doce de gila que era confeccionado com preceito nos vários conventos ou mosteiros e que depois se vulgarizou junto do povo, temos pois uma combinação perfeita e bastante utilizada em muitas das receitas da doçaria tradicional Portuguesa, principalmente  no Alentejo.

Este bolo é também fruto dessa combinação e apesar da simplicidade da  confecção apresenta aquele sabor tão  especial que identifica um doce típico da nossa surpreendente doçaria.

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Ingredientes:

200g de açúcar

250g de doce de gila

250g de miolo de amêndoa ralada sem casca

5 ovos

50g de farinha

2 colheres de sopa de manteiga derretida

1 colher chá de canela moída

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Preparação:

Liga-se o forno a 180º C. Unta-se uma forma com manteiga e forra-se com papel de alumínio ou vegetal, que se unta com manteiga e polvilha com farinha.Misturam-se os ovos com o açúcar e bate-se durante 5 minutos.Em seguida adiciona-se a manteiga, a amêndoa ralada, o doce de gila, a farinha e a canela.Mistura-se bem e deita-se esta mistura dentro da forma. Leva-se a cozer cerca de 30 minutos ou até se verificar com um palito que está cozido.Desenforma-se quando estiver completamente frio.Pode polvilhar-se com açúcar em pó  e enfeitar com fios de ovos.

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