Peixe de água doce (abletes e achigãs)
sumo de 1 limão grande
alho
sal e pimenta q.b.
farinha de milho
óleo
Escabeche:
1 cebola grande
2 dentes de alho
azeite
2 folhas de louro
1 colher de chá de pimentão doce
1 colher de sopa de vinagre
Preparação:
Estes bolos folhados são mais uma receita tradicional do Alentejo que a par de tantas outras tenho trazido a este blog. É uma receita antiga e a senhora que ma deu só avisou que tinha de ter muita força para "amassari, amassari e tornar a amassari." (Realmente venero o sotaque alentejano, não há sotaque mais bem disposto!)
E bem dispostos ficamos logo pela manhã saboreando estes bolos bem fofinhos com um café acabado de fazer. É impossível resistir à provocação!!!
A aparência não ilude, façam e comprovem como ficam formosos e deliciosos. Podem ser inimigos de dietas e afins mas como temos de amassar bastante acabamos por juntar o útil ao agradável.
Ingredientes:
1 Kg de farinha tipo 55
50 gr de fermento de padeiro
250 gr de banha para a massa + 150 para enrolar os bolos
6 ovos
200 grs de açúcar misturado com uma colher de chá de canela
0,5 dl de aguardente
açúcar para polvilhar
Podem rechear-se com gila depois de enrolados, alargando o espaço deixado pelo cabo da colher de pau e introduzindo com cuidado o doce. Eu prefiro-os simples.
Preparação:
Peneira-se a farinha. Junta-se-lhe o açúcar, 250 gr de banha derretida e um pouco de água morna (suficiente para se obter uma massa que se possa trabalhar).Dissolve-se o fermento num pouco de água tépida e junta-se à massa anterior. Amassa-se bastante e à medida que se vai trabalhando, juntam-se os ovos, um a um, e a aguardente.Amassa-se cerca de 30 minutos. Deve-se ter o cabo de uma colher de pau grande que se unta com um pouco de banha. Estende-se a massa o mais fina possível com o rolo da massa, cortam-se tiras mais largas num dos lados e mais estreita noutro e vão-se enrolando à volta deste e untando com banha as tiras.Quando o rolo de massa tiver o tamanho desejado, retira-se o pau, ajeita-se o rolo de massa, dando-lhe uma forma regular e corta-se com muito cuidado.Não é preciso ficar um rolo demasiado grosso porque vão levedar.
Colocam-se num tabuleiro, cobrem-se com um pano e deixam-se levedar cerca de 6 horas em local aquecido, por exemplo dentro de um forno que se liga um pouco e depois desliga-se, deixando o tabuleiro lá dentro.
Levam-se os bolos a cozer em forno bem quente e polvilham-se imediatamente com açúcar quando estiverem cozidos para o açúcar pegar. Estão cozidos quando mostrarem este aspecto tostado.
Um dia destes ouvi esta expressão "A simplicidade das coisas simples". Pareceu-me redundante na altura, mas interiorizei-a e surge-me com frequência quando me deparo com certas situações que pela sua simplicidade acabam por ser surpreendentes.
Tal aconteceu exactamente com esta receita que retirei do livro "Cozinha para quem não tem tempo " da Mafalda Pinto Leite. São umas bolachas de manteiga aromatizadas com limão, muito simples de confeccionar, com poucos ingredientes mas cujo resultado são umas bolachinhas estaladiças, deliciosas. Que me perdoe a industria alimentar, mas jamais conseguiremos encontrar na prateleira de uma loja um pacote com umas bolachas assim, com este sabor autêntico. Por isso a família adorou e desapareceram num ápice com pedidos constantes para que se façam mais.
Ingredientes:
175 gr de farinha sem fermento
raspa de 1 limão
110 gr de manteiga à temperatura ambiente (usei mesmo manteiga)
50 gr de açúcar
Preparação:
Aqueça previamente o forno a 180º. Coloque a farinha e raspa de limão numa tigela grande, adicione a manteiga aos pedaços e esfarele com os dedos. Junte o açúcar e amasse delicadamente com as mãos para formar uma bola de massa compacta. Não adicione água, mesmo que pense que é preciso. Estique a massa cuidadosamente( eu estendi sobre uma superfície enfarinhada com o rolo também enfarinhado) até obter uma espessura de 1/2 cm. Corte bolachas com cortador de bolachas ou com um copo e coloque num tabuleiro forrado com papel vegetal. Leve ao forno cerca de 10 minutos, até começarem a dourar. Deixe arrefecer e retire.
"A ordem é o prazer da razão: mas a desordem é a delícia da imaginação." Paul Claudel
A receita de hoje está em tudo relacionada com esta extraordinária citação. Quis pôr em prática algumas das técnicas que aprendi recentemente e ao mesmo tempo deixar-me levar pela imaginação, sem uma ordem previamente estabelecida, sem ter a noção concreta do resultado final. Por vezes um pouco de desordem também é precisa nas nossas vidas, solta-nos e encaminha-nos para outras paragens quiçá mais sedutoras e saborosas. Aqueles que dependem exageradamente da ordem, da razão perderão por certo muitos dos prazeres terrenos.
Imaginemos então aquilo que nos dá prazer, com uma fatia desta delicia como companhia...
Ingredientes:
Bolo:
200 gr de açúcar
6 ovos
40 gr de fécula de batata
40 gr de cacau em pó
140 gr de farinha
60 gr de manteiga
1 pacote de natas batidas em chantilly aromatizado com licor de laranja (facultativo)
carambolas
Preparação:
Misturar os ovos com o açúcar num recipiente que possa ir ao lume e levar a aquecer em banho maria até atingir os 45º (cerca de 10 minutos), mexendo lentamente. Depois de retirar do lume, com uma batedeira eléctrica bater durante 10 minutos até obter um creme esbranquiçado. Em seguida peneirar os ingredientes secos. A farinha, a fécula, e o cacau. Aquecer um pouco a manteiga e juntar à mistura de açúcar mexendo com a vara de arames.Em seguida adicionar os ingredientes secos.
Levar ao forno a 180º numa forma bem untada e polvilhada de farinha, durante 15-20 minutos. Desenformar e deixar arrefecer sobre uma grelha. Cortar em três partes iguais e rechear uma com creme de chocolate e outra com chantilly aromatizado com licor de laranja. Cobrir com o restante recheio de chocolate e decorar de acordo com a imaginação.
Creme de chocolate:
Leve meio pacote de natas com 2 colheres de sopa de margarina e 2 colheres de sopa de açúcar ao lume até ficarem quentes, mas não deixe ferver. Acrescente metade de uma tablete de chocolate cortada em pequenos pedaços e misture. Com um batedor de varas, mexa muito bem, até obter um creme liso e brilhante. Deixe arrefecer um pouco antes de utilizar.
Folhas de chocolate:
Derreter um pedaço de chocolate para culinária no microondas até ficar completamente liquido e pincelar sobre folhas escolhidas a gosto. Esta é de hortênsia. Deixar arrefecer à temperatura ambiente mas se estiver calor levar ao frio. Depois solta-se com cuidado e surgem como por magia bonitas folhas de chocolate. A minha filha adorou!
Quanta tristeza
Há nesta vida
Só incerteza
Só despedida
Amar é triste
O que é que existe?
O amor
Ama, canta
Sofre tanta
Tanta saudade
Do seu carinho
Quanta saudade
Amar sozinho
Ai de quem ama
Vive dizendo
Adeus, adeus
Este é um dos muitos poemas de Vinícius de Morais entre tantos outros que eu adoro. Lembrei-me dele por vários motivos mas também a propósito destes bolinhos que são uma receita da minha avó e que segundo me recordo se ofereciam ás pessoas no final de um baptizado, casamento ou até no final de uma estadia de férias. Uma espécie de consolo para tornar a tristeza da despedida mais doce. Actualmente muitas pessoas vivem voltadas para si próprias, para o seu mundo, indiferentes aos sentimentos dos outros e esquecem-se de pequenos gestos, de palavras que podiam fazer de uma despedida um momento diferente em vez de a transformar numa mágoa profunda. Vamos pois fazer as "despedidas" para que sempre que chegar a hora do adeus, esta seja suave e doce.
Ingredientes:
500 gr de farinha sem fermento
80 gr de fermento de padeiro
1 dl de água morna
2 ovos
100 gr de açúcar
100 gr de manteiga levemente derretida
1 colher de chá de canela
1 colher de sobremesa de erva doce
100 gr de frutos secos ( passas, nozes, avelãs, amêndoas)
1 cálice de aguardente ou vinho do porto
raspa de 1 limão
Preparação:
Numa tigela abre-se um buraco e no centro deita-se o fermento de padeiro dissolvido com a água morna. Amassa-se com um pouco de farinha e deixa-se repousar essa pequena bola cerca de 15 minutos. Passado esse tempo adiciona-se o açúcar, os ovos a manteiga, a canela, a erva doce, os frutos secos, o vinho do porto ou aguardente e a raspa. Amassa-se e soca-se muito bem durante dez minutos, até formar uma bola. Se ficar muito mole vá juntando um pouco de farinha. Tapa-se com um pano e deixa-se levedar para o dobro. ( Para levedar mais rápido eu ligo o forno, deixo aquecer um pouco e desligo. Depois ponho a tigela lá dentro com esse calor).
Depois de levedada a massa retiram-se pequenas porções e fazem-se bolas, tranças, caracóis, o que a imaginação ditar. Acomodam-se num tabuleiro levemente untado de margarina, não muito próximas umas das outras porque crescem bem, pincelam-se com ovo batido e polvilham-se com açúcar. Cozem cerca de 15 minutos ou até ficarem lourinhos.
No Kitab al-Wusla, um dos mais antigos e notáveis livros de cozinha medieval árabe, faz-se largo uso de amêndoas. A longa permanência dos árabes na Península Ibérica , principalmente nas regiões do sul, está na origem da introdução da amêndoa em muitas receitas até porque segundo reza a história foram os árabes que durante esse período introduziram a cultura da amendoeira. Juntando esta antiga herança com o doce de gila que era confeccionado com preceito nos vários conventos ou mosteiros e que depois se vulgarizou junto do povo, temos pois uma combinação perfeita e bastante utilizada em muitas das receitas da doçaria tradicional Portuguesa, principalmente no Alentejo.
Este bolo é também fruto dessa combinação e apesar da simplicidade da confecção apresenta aquele sabor tão especial que identifica um doce típico da nossa surpreendente doçaria.
Ingredientes:
200g de açúcar
250g de doce de gila
250g de miolo de amêndoa ralada sem casca
5 ovos
50g de farinha
2 colheres de sopa de manteiga derretida
1 colher chá de canela moída
Preparação:
Liga-se o forno a 180º C. Unta-se uma forma com manteiga e forra-se com papel de alumínio ou vegetal, que se unta com manteiga e polvilha com farinha.Misturam-se os ovos com o açúcar e bate-se durante 5 minutos.Em seguida adiciona-se a manteiga, a amêndoa ralada, o doce de gila, a farinha e a canela.Mistura-se bem e deita-se esta mistura dentro da forma. Leva-se a cozer cerca de 30 minutos ou até se verificar com um palito que está cozido.Desenforma-se quando estiver completamente frio.Pode polvilhar-se com açúcar em pó e enfeitar com fios de ovos.